A antiga Fábrica América Fabril

 

O Andaraí, que já foi chamado Andaraí Grande e hoje está reduzido a poucas quadras. No percurso, vemos resquícios da memória de um dos primeiros bairros operários do Rio. Por aqui, três gerações de ‘estrangeiros’ os escravos libertos, os imigrantes pobres e os nordestinos - reinventaram um jeito carioca de ser.

Habitado inicialmente pelos tamoios, o vale rodeado por morros do Andaraí significava terras mais elevadas e menos alagadiças para os indígenas. Já na ocupação portuguesa, pequenas fazendas ocuparam o entorno e serviam ao abastecimento dos produtores de açúcar, entre o Engenho Velho, no Largo da Segunda Feira, e o Engenho Novo, na Barão de Bom Retiro.

O Andaraí ganha uma característica diferente com a abertura da estrada do Andaraí Grande. A atual Barão de Mesquita fez a interligação com o Centro do Rio e atraiu imigrantes: portugueses, espanhóis e alemães se estabeleceram na área, não tão valorizada como a Tijuca e Vila Isabel. Tal como havia acontecido em São Cristóvão, Benfica e outras localidades próximas ao centro, as indústrias se multiplicaram. América Fabril, Confiança, Lanifício Ideal encontraram no Andaraí uma combinação perfeita: água para a produção, conexão com a baía de Guanabara, levas de imigrantes para a direção das fábricas e desalojados do centro em busca de trabalho e moradia construídas nas encostas e alugadas pelos imigrantes de mais posses.

As fábricas dominaram a região até os anos de 1960, quando questões ambientais e a formação de novos polos removeram as indústrias para longe do centro. Ficaram as chaminés, visíveis no “Tijolinho” e no “Boulevard Extra”. Desde então, a história do Andaraí ficou mais conhecida por alimentar a crônica de violência da cidade, apesar das referências suaves em novelas e nas músicas.


Imagem: Geiger, Pedro Pinchas, 1923-; Jablonsky, Tibor/1958/Acervo IBGE 

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